Caso d4vd: juíza vê provas e cantor vai a julgamento por homicídio

Caso d4vd: juíza vê provas e cantor vai a julgamento por homicídio


Uma juíza de Los Angeles decidiu, na segunda-feira (27), que existem provas suficientes para levar a julgamento o cantor d4vd, acusado de matar Celeste Rivas Hernandez, de 14 anos. A audiência de instrução ficou marcada para 31 de agosto.

A determinação veio ao fim de uma audiência preliminar de cinco dias, com mais de dez testemunhas. Nessa etapa, os promotores precisavam apenas demonstrar causa provável, critério diferente da certeza além de qualquer dúvida razoável exigida numa condenação.

Conhecido pelos hits que viralizaram nas redes sociais, como “Here With Me“, o músico de 21 anos, cujo nome verdadeiro é David Anthony Burke, se declarou inocente das acusações.

Ele responde por homicídio em primeiro grau com circunstâncias qualificadoras, abuso sexual continuado de menor de 14 anos e mutilação de restos mortais humanos. A juíza Charlaine Olmedo determinou que ele siga preso sem direito a fiança.

As provas apresentadas

Segundo a acusação, o corpo mutilado de Celeste foi encontrado em setembro do ano passado no porta-malas do Tesla de d4vd, dentro de duas sacolas, depois que o veículo foi levado a um pátio de reboque em Hollywood, como o detetive relatou em audiência.

Os promotores citaram ainda análises da cena do crime na casa onde o artista estava hospedado, exames de DNA em amostras de sangue, uma piscina inflável supostamente usada para conter o sangue e itens comprados na Amazon sob um pseudônimo.

Para a acusação, o cantor teria matado a adolescente para impedi-la de revelar detalhes do relacionamento antes do lançamento de seu álbum. A motivação financeira já havia sido apontada pela promotoria em etapas anteriores.

As mensagens do dia do crime

A acusação apresentou trocas de mensagens de 23 de abril de 2025, data em que acredita que Celeste foi morta. Naquela tarde, os dois teriam combinado que d4vd enviaria um carro por aplicativo para buscá-la e levá-la até a casa dele.

A defesa, por sua vez, destacou mensagens em que a adolescente pedia o encontro após discussões. No dia anterior, Celeste chegou a escrever “Eu juro por Deus que vou te matar” e “Eu vou acabar com a sua carreira”, conforme os registros apresentados no processo.

Para a promotoria, porém, as mensagens refletem “uma menor sendo manipulada por um adulto”. A promotora assistente Beth Silverman descreveu o caso como “um processo muito evidente de aliciamento de uma vítima jovem que realmente não sabe o que a espera”.

A última mensagem enviada pelo celular de Celeste foi às 22h10. Investigadores acreditam que ela tenha sido morta entre 22h10 e 22h31 daquela noite, quando o cantor voltou a mandar mensagens perguntando onde ela estava.

Defesa questiona a coleta de evidências

Os advogados de d4vd contestaram a forma como as provas foram reunidas. A defensora Blair Berk questionou por que duas motosserras encontradas na casa não foram preservadas como prova; testadas, elas não apresentaram vestígios de sangue.

Um detetive da polícia de Los Angeles afirmou que o cantor teria comprado uma terceira motosserra, nunca localizada. Sobre o DNA, a defesa alegou que o material poderia ser antigo ou fruto de uma “transferência secundária”.

Fora do tribunal, o promotor Nathan Hochman afirmou acreditar que as provas no julgamento serão “avassaladoras”. A data do júri pode ser marcada em até 60 dias após a audiência de 31 de agosto. Um advogado do cantor se recusou a comentar a decisão.

Estrela em ascensão que já se apresentou no Coachella e no programa “Jimmy Kimmel Live!”, d4vd teve o carro abandonado por meses antes de os restos mortais de Celeste, dada como desaparecida, serem encontrados enquanto ele fazia uma turnê mundial.



Fonte: Vagalume.